A Alquimia do Traço:
entre a Botânica e o Cobre
por Elissa Rocabado

Conceito:
Minha prática nesse projeto é de Elissa Rocabado parte da escuta do gesto — da linha como substância viva que carrega o tempo, o corpo e o pensamento.
Em sua atual jornada, a artista dedica-se à gravura em cobre, investigando o que chama de alquimia do traço: um processo em que o desenho, o metal e o ácido se encontram para revelar o invisível.
Cada chapa gravada é uma metáfora da própria transformação.
Do nigredo ao rubedo, do escuro da corrosão à revelação da forma, Rocabado experimenta a gravura como um ritual de passagem.
O ato de imprimir torna-se, assim, um gesto de transmutação — da imagem em matéria, do instante em permanência, da artista em aprendiz.
Inspirada pelas tradições da alquimia botânica, que observa a natureza como laboratório de saberes sutis, suas obras se situam entre o vegetal e o metálico, entre o corpo e a superfície.
A magnólia, tema recorrente de sua pesquisa, aparece como flor filosófica: símbolo do renascimento, da memória e da beleza que se regenera.
